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Hoje vamos falar um pouco do quanto o mundo está globalizado, sim. Acredito que todos tenham conhecimento de um acidente que aconteceu no Canal de Suez em março.

Canal de Suez mapa
Canal de Suez Mapa -Foto: Shutterstock

No dia 23 de março o navio Ever Given encalhou no Canal de Suez, interditando a passagem por 6 dias. Estima-se que em 2020, mais de 20.000 embarcações passaram pelo canal, o que significa mais de 50 passagens em média por dia. Ou seja, com a interdição da passagem, quase 200 embarcações ficaram aguardando a passagem, sem contar as embarcações que mudaram o seu trajeto para não ficarem paradas também.

Em 29 de março o navio Ever Given, de 400 metros de comprimento e carregado com cerca de 20.000 containers, foi finalmente desencalhado e o tráfego demorou 4 dias para voltar ao normal.

Canal de Suez: Impactos mundiais
getty images/Reprodução

Após o desencalhe do navio ele foi retido no Egito para investigações das causas do acidente. A prévia das investigações aponta que a embarcação foi declarada adequada para passagem no canal, aumentando a possibilidade de se considerar a causa um erro humano.

No dia 07 de abril, a fabricante japonesa do navio recebeu uma notificação das autoridades do Canal de Suez com um pedido de indenização de aproximadamente USD 900 milhões para cobrir gastos causados pelo encalhe do navio. Deste valor, USD 300 milhões correspondem a despesas pelo salvamento e USD 300 milhões a um ressarcimento por perda da reputação. Há ainda um valor faltante (USD 300 milhões) sem justificativa. E enquanto o pagamento não fosse efetivado o navio não seria liberado para continuar sua viagem.

Pois bem, vamos falar agora dos reflexos do acidente.

Desde o ano passado sentimos os reflexos da falta de containers e aumento expressivo do frete internacional. Quem ainda se lembra dos fretes da Ásia para o Brasil em torno de USD 2.500,00/TEU? No final do ano de 2020, vimos os fretes subirem como um foguete, atingindo níveis que chegaram a USD 10.000,00/TEU. Após o feriado chinês em fevereiro de 2021 começamos a ver uma leve queda nos valores de frete internacional. Os números começaram a chegar na casa dos USD 7.500,00/TEU em março antes do acidente no Canal de Suez.

Considerando o tempo de bloqueio do canal e o número de embarcações que ficaram aguardando a liberação para seguir viagem, já conseguimos imaginar o número de containers que estavam no mar nesta ocasião, ou seja, começamos a sentir os reflexos do acidente já em abril, quando os valores de frete marítimo voltaram a subir devido novamente à falta de equipamentos que ainda não retornaram às suas bases. Há cargas na China aguardando meses para serem embarcadas e o mesmo acontece em outras rotas.

Ou seja, os reflexos começam a alcançar o consumidor e particularmente ainda acho que isto é só o começo. Para você ter uma ideia, hoje os fretes já estão na casa dos USD 9.000,00/TEU.

Além do reflexo da falta de containers que vem causando um aumento nos valores de frete internacional, não podemos nos esquecer dos demais afetados com o acidente. Vamos analisar a dimensão dos danos causados pelo acidente.

1. Operação de desencalhe do navio:

Como vimos na matéria anterior, as autoridades do Canal de Suez apreenderam o navio com as cargas a bordo e a tribulação, exigindo da proprietária a quantia de aproximadamente USD 900 milhões, a título de reembolso pelo salvamento, pela perda da reputação e para cobrir gastos operacionais para o desencalhe da embarcação.

2. Atraso dos navios:

Mais de 200 embarcações estavam aguardando o desbloqueio do Canal para atravessar e seguir viagem para os seus destinos.
Quais foram as perdas que estes transportadores tiveram com suas embarcações aguardando a travessia pelos 6 dias em que o navio Ever Given ficou bloqueando a passagem de ambos os lados do canal?

3. Mudança de rota dos navios:

Alguns navios mudaram suas rotas para evitar o Canal de Suez, isto é, eles tiveram que contornar a África o que provocou um aumento de tempo de percurso e de gastos adicionais com combustível.

4. Atraso na entrega das cargas:

Em cada uma das mais de 200 embarcações, havia uma variedade enorme de cargas e valores envolvendo diversos fornecedores.
E se, dentro deste universo de mercadorias, tivéssemos cargas perecíveis que eventualmente não estivessem com embalagem adequada para garantir a qualidade do produto com um prazo estendido de trânsito?
Foram 6 dias de bloqueio e mais 2 dias de intenso tráfego para que a passagem das embarcações pelo canal voltasse à sua normalidade.
Muitas destas embarcações, quando chegaram ao destino, enfrentaram um congestionamento para atracação e descarga no porto porque chegaram praticamente todas juntas.

5. Fábricas com produção parada por falta de matéria prima:

Por conta de todos estes atrasos, muitas empresas enfrentaram falta de matéria prima que pode ter ocasionado parada na linha de produção.
Já imaginou o custo para uma fábrica tendo a sua linha de produção parada? E para várias fábricas?

6. Perda de vendas no mercado de varejo:

Muitos dos produtos transportados podem já ter sido vendidos, mesmo ainda estando em trânsito. Como os fornecedores estão administrando o atraso na entrega dos produtos vendidos ou o ressarcimento da venda cancelada de produtos não entregues?
E sua reputação no mercado? Isso tudo pode inclusive afetar a marca da empresa.

7. Aumento dos custos das transportadoras ocasionados pelo atraso na chegada ao porto de destino:

Todas as transportadoras estão ainda readequando seu cronograma de viagens para recuperar os atrasos ocasionados pelo acidente.
Isso significa milhares de contratos com os donos das cargas e acordos fechados com operadores portuários tiveram que ser revisados.

Será que o proprietário do navio tem cobertura de seguro para todos estes danos? Se ele não tiver, terá que arcar com estes custos com recursos próprios.

Uma coisa é certa: no final quem acaba pagando somos todos nós. Sim, eu, você e todo o restante da humanidade. Estes valores das despesas adicionais certamente serão repassados para os proprietários das cargas a bordo de todos os navios parados, para as transportadoras, que tiveram prejuízo, para os fabricantes, que foram também penalizados e para os comerciantes, que receberão seus produtos majorados. Posteriormente, estas figuras repassarão o prejuízo para a ponta final da cadeia, ou seja, o consumidor final.

Sobre o autor

Marcia Hashimoto

Por: Sócia proprietária da INFOLABOR Consultoria e especialista em Comércio Exterior, auxilia empresa e empresários nos seus projetos de importação e exportação, possui MBA em Projetos pela FIA, ministra cursos e palestras na área de Comércio Exterior